Hoje continuamos a série de posts que começamos há um tempo sobre o marketing e distribuição de um produto audiovisual.
Já comentamos sobre um modelo de definição de plano de marketing e distribuição, já falamos da relação entre distribuidor e exibidor, já revisamos alguns conceitos como janelas, fluxo de caixa e acordos.
Ou seja, já analisamos o que deve ser feito desde que o filme acabou de ser finalizado e está atrás de acordos de distribuição / exibição. Hoje vamos falar do próximo passo na “cadeia de produção” de um filme: o P&A, Print & Advertising.
O P&A de um filme são essencialmente os custos de impressão do filme que vai ser usado nas salas de cinema (print) mais os custos da campanha de marketing direto (advertising). Esse é um dos orçamentos mais importantes de um filme e é muitas vezes ignorado ou esquecido pelo produtor, fazendo com que constantemente ele acabe passando do orçamento total do filme ou não consiga as receitas necessárias.
O P&A é tão importante que existem pessoas que pregam que o investimento governamental no Brasil deva ser apenas no P&A e não no filme como um todo, o que faria com que o filme tivesse um potencial maior de visibilidade. Ou seja, o governo não estaria investindo milhões e milhões de reais em filmes que não serão vistos por quase ninguém. Ao invés disso, investiria em filmes já prontos, com claro potencial e que precisassem de um empurrão extra para competir no mercado cinematográfico com as grandes produções de igual para igual. Um dos proponentes dessa ideia é o Padilha (veja o vídeo abaixo). Eu concordo com essa visão 100% e acho que é um modelo muito melhor de investimento público.
Enfim, infelizmente, a definição de um orçamento de P&A ainda é uma “arte” e não uma “ciência”. Claro que as companhias de distribuição e produção têm diversos modelos matemáticos e financeiros para calcular o P&A exato para que o filme seja um sucesso: o ideal é não gastar dinheiro desnecessariamente, mas também gastar o suficiente para que o filme consiga levar o público ao cinema. O problema é que essas fórmulas muitas vezes dão errado e os distribuidores e produtores acabam recorrendo para um conceito antigo na indústria: o comp, que nada mais é do que comparar filmes já lançados ao filme que estamos tentando distribuir. Ou seja, eles pegam o P&A de meia dúzia de filmes recentes parecidos com o novo filme como um bom chutômetro. E pode ter certeza, as grandes empresas usam isso até hoje.
No entanto, como esse é o maior orçamento de um filme depois de pronto, os esforços têm sido todos na direção das métricas para que se possa ter uma noção do quê funciona em que circunstância. Sad but true.
Para um produtor independente ou pequeno distribuidor, no entanto, esse valor geralmente não é tão grande, já que ainda custa muito caro imprimir um filme e comprar publicidade. Essa era a má notícia. A boa notícia é que absolutamente tudo está caminhando para um P&A cada vez mais barato.
Se pensarmos pela parte do Print, apesar de ainda termos muitas salas de cinema que utilizam película, o número de salas digitais no mundo – mas também no Brasil graças a incentivos do governo – cresce a cada ano. Isso vai significar em poucos anso que o custo do Print será cada vez menor oou que será possível fazer um lançamento de um filme apenas em salas com projeção digital e ainda assim atiginr um grande público.
Além disso, o Advertising também está se barateando, principalmente para iniciativas menores e independentes com o crescimento e popularização da publicidade via internet. Antes, os distribuidores precisavam anunciar sesu filmes em jornais e televisão extensivamente para ter um alcance generalizado e, com isso, gastavam muito dinheiro. Hoje é muito fácil e barato você ter uma campanha publicitária altamente focada no seu público-alvo e mesmo assim levar um bom público ao cinema. A era do marketing genérico, da mensagem única para todos os públicos está acabando e certamente já acabou para essas produções independentes de cinema que já não dependem das mídias tradicionais para “vender” seus filmes.
A mensagem final, portanto, é positiva: apesar do P&A ainda ser um dos principais custos na cadeia produtiva de um filme ele tende a se baratear cada vez mais o que vai significar tanto filmes com orçamentos maiores para a própria produção ou mais filmes menores atingindo mais pessoas.











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