Essa dica da semana é sobre um dos meus contadores de história favorito.
Alan Moore
Nesse meio do entretenimento são muitos os autores e autoras que eu realmente adoro. No cinema, posso citar Scorcese, Tarantino, Hitchcock, Spielberg, Coen, Kaufman, etc. Na literatura, Tolkien, Steinbeck, O’Brien, Vonnegut, Poe, King, etc. Nos games, sou fã de mentes como Ron Gilbert, Tim Schafer, Hideo Kojima, Fumito Ueda, Jonathan Blow, etc. Na TV gosto de nomes como, Cuse, Lindelof, Serling, Carter, etc.
No entanto, pra mim, uma das mentes mais curiosas e brilhantes de toda a indústria do entretenimento não atua em nenhuma dessas mídias, mas em um meio que por muito tempo ficou relegado à condição de “arte inferior” e hoje, apesar de ainda não possuir o respeito que merece, já encontra menos resistência no público em geral. Estou falando obviamente de Alan Moore e dos seus quadrinhos.
Moore talvez seja o autor de quadrinhos mais famoso e ao mesmo tempo mais underground que existe: ele é responsável por várias histórias que foram adaptadas recentemente para o cinema como Do Inferno, V de Vingança, Watchmen e A Liga Extraordinária. No entanto, mesmo tendo seu nome ligado a essas grandes franquias do entretenimento, Moore ainda é um nome pouco conhecido do público em geral e, exatamente por isso, acredito que seja um ótimo assunto para uma dica da semana.
O que mais me atrai no estilo de Alan Moore é sua subversão: para ele, nada é sagrado e nenhuma convenção precisa necessariamente ser respeitada. Moore simplesmente brinca com os arquétipos mais básicos de seus personagens e os coloca de cabeça pra baixo, dentro de situações bastante surreais. Além disso, ele tem uma das características que mais aprecio em bons contadores de história que é sua enorme bagagem de referências: fica nítido toda vez que você lê uma história de Alan Moore que ele está usando de todas suas influências passadas dentro da história. Com isso, acredito que esses quadrinhos fiquem mais ricos ainda, possuindo significados que vão além da trama principal. Watchmen, por exemplo, não é só bacana pela sua trama de como os heróis agiriam se fossem inseridos em um mundo real como o nosso. Talvez por isso seja extremamente difícil adaptar seus trabalhos para outra mídia, especialmente o cinema; as adaptações citadas não fazem jus às maravilhosas obras originais de Moore.
V de Vingança
Sendo assim, vou postar meu top 5 de histórias/quadrinhos de Alan Moore que vocês, apaixonados por entretenimento, têmque conhecer:
5 -Tomorrow Stories – Essa é uma série de quadrinhos que Alan Moore que se assemelha bastante a episódios de Twilight Zone. Ou seja, em cada edição do quadrinho você vai encontrar 4 ou 5 contos diferentes e que mostram o quão a cabeça de Alan Moore é maluca. Destaque vai para Jack B. Quick, uma espécie de Franjinha de Maurício de Souza mais amalucado.
4 -V de Vingança – O quadrinho que inspirou o filme que inspirou todo o movimento Anonymous. Recomendo fortemente que tentem comprar alguma edição encadernada de luxo ou algo do gênero que contenha os comentários de Moore. Dessa maneira vocês poderão realmente ver o quão complexa e intrincada essa trama realmente é e por que 10 entre 10 pessoas que leram o quadrinho dizem que a versão impressa é muito melhor que a do filme.
3 – O Monstro do Pântano – O que Moore fez com esse personagem clássico da DC é pra ficar na história. Relegado à quinta categoria da editora, Moore consegui recriar um personagem raso de terror em um dos mais fascinantes e complexos já vistos. Leitura obrigatória para qualquer fã de uma boa história.
Watchmen
2 – Batman: A Piada Mortal – Uma das histórias mais famosas de Moore não por acaso. A capacidade de Moore de desenvolver uma história inteligente e que coloca Batman e Coringa em dois lados de uma mesma moeda é de arrepiar. Diz-se na indústria que o discurso do Coringa no filme Dark Knight, quando ele está de cabeça para baixo – uma das melhores cenas do filme – foi altamente influenciada por essa graphic novel.
1 – Watchmen – A obra-prima. Para quem viu o filme e nunca leu o quadrinho, a essência da história está na tela com bastante precisão (com exceção do final). No entanto, os detalhes e referências e descrições alongadas de Moore sobre os conflitos e motivações dos personagens ficaram todas para trás. Portanto, mesmo que você não tenha gostado tanto do filme, vá atrás dessa obra que foi considerada pela revista TIME como uma das obras literárias (não só de quadrinhos) mais importantes da História.